sábado, março 03, 2007

Grito Rock Londrina

Por Alexandre Gaioto

O Grito Rock, festival de rock and roll que aconteceu simultaneamente em 15 cidades brasileiras, entre os dias 17 e 21 de fevereiro, não deixou o Paraná fora do mapa. Em Londrina, o festival teve divulgação pesada, contou com belos novos nomes do rock e ainda foi agraciado com o não comparecimento massivo do público.

O Grito londrinense foi divulgado no jornal Folha de Londrina - o maior da cidade - e até na Jovem Pan. Isso deixa claro uma diferença cultural muito grande, já que no Paraná, ao contrário das outras 14 cidades que produziram o Grito, o público tem o costume de aproveitar o feriado e descer para o litoral. Mesmo assim, correndo o risco de não restar ninguém em Londrina, os shows foram agendados. Aplausos à organização pela coragem!

Bom, a noite começou com uma surpresa. O GAF, de Londrina, se apresentou com energia e peso surpreendentes. Com influências de Limp Bizkit e Rage Against, os caras contam até com um DJ. O vocalista Marcelo dos Santos, o Sapão, explica que a paixão pelo skate e por essas duas bandas fizeram com que o GAF (Garotos Antenados Falantes) surgisse. Sapão é um cara politizado. Tanto que no final do show, ele gritou por paz. Sapão até compôs uma música sobre George Bush e Saddam Hussein. Ele explica o engajamento pacifista no show e o efeito causado: “A melhor parte do show é quando a bateria fica tocando, aí ela (bateria) pára e eu grito e peço para todo mundo gritar PAZ. E paz é o que todos nós queremos. Você não quer paz?”. O pacifista revela ser um admirador -em parte- do vocalista do U2, Bono Vox: “o problema é que ele faz isso pra ganhar dinheiro”. Palmas para Sapão.


O pacifista Sapão

Os segundo a se apresentarem já são conhecidos dos assíduos leitores do blogue: Junkie Bozo. Belo trabalho o dos caras! Belo também era o vestido de Tais Ponti, a incrível, a fantástica, a inconfundível baixista da banda. Junkie Bozo nunca seria Junkie Bozo, sem Tais Ponti e seus vestidos exóticos. A primeira coisa que Thais disse quando me viu, foi: “Dessa vez não é de bichinho!” e apontou para o seu vestido. Esperto como uma raposa, astuto como um leão, eu aproveitei e olhei bastante. O vestido, claro. Depois de alguns minutos, balancei a cabeça concordando que realmente não era de nenhum bicho. Notei que o belo vestido verde de Tais deixava aparecer nas costas um pedacinho de tatuagem em forma de tablatura. Com um sorriso amável, Tais explicou que fez aquela tatuagem há uns dois anos, e que aquela era a tablatura de “All you need is love”, dos Beatles. Maravilha!!! Aproveitei para questionar algo que já queria perguntar a muito tempo. Os vestidos exóticos são uma arma na sedução? “Não..simplesmente eu”. Tais tem um armário cheio de vestes “exóticas”: “Eu tenho vestidos de cobra, onça e zebra. Só não tenho de vaca!”, revelou a incrível Tais Ponti com um delicioso sorriso nos lábios e um par de sapatos de oncinha nos pés.


Taís Ponti e seus exóticos pés de oncinha

Depois do Junkie Bozo, os roqueiros inconseqüentes do Hacienda incendiaram por completo o Berimbar. Um show simplesmente eletrizante, do início ao fim. O trio apresentou um punk rock em essência, mas um show que foi além, revelando as qualidades individuais e a qualidade coletiva da banda. Um baterista brilhante, vocais ora gritados, ora rasgados, ora intimistas... Foi um show intenso. A prova da intensidade louca que o Hacienda faz em suas canções está em “All you got”, “Hacienda Mecânica” e em todas as outras do repertório. E já que estamos comentando o vestuário com certa freqüência nas resenhas, vale atentar para a moda particular do guitarrista Victor. O cara usa um grosso meião de futebol azul, uma bermuda branca jeans e uma camiseta havaiana (sem o colar típico). Uma moda bem particular. Eu já conhecia o trabalho dos paulistanos do Hacienda e não achei que eles fossem capazes de reproduzir ao vivo o primoroso Ep “Hunting Season Open” (disponível gratuitamente no site

www.hacienda.com.br ). Não continue essa leitura antes de baixar o EP.


O baixista e um dos vocalistas do Hacienda, Fábio Chenepan

Hacienda rolando por aí e agora é a hora do Silêncio. Thiago Ponti, irmão da incrível, a fantástica, a inconfundível, Tais Ponti, lidera a banda londrinense. Fazendo caras e bocas, o guitarrista e jogral, Thiago, deixa se levar pelo clima da banda e não se segura em cima do palco. Dançando conforme a música, Thiago Ponti sofre, pula e viaja enquanto executa as canções. Totti, no baixo, também se esforça para acompanhá-lo. Silêncio é uma banda que já está pronta e que não fica, em hipótese alguma, “presa” ao público. É uma banda que se diverte com muita competência e faz um show sincero, com músicas sinceras.


Thiago Ponti não se segurou

Depois de Thiago, Totti e companhia, é hora da banda de Brasília, Mardi Buscolini. Assim como Hacienda (SP), sou fã do som dos caras. Antes do show, em conversa reservada (banhada a algumas cervejas), o vocalista Thiago Sabadini polemizou: “Os caras do Fresno não são ruins!”. A declaração foi o suficiente para despertar o riso e a revolta coletiva dos integrantes da Mardi - incluindo as respectivas namoradas. André, o produtor, disse para Thiago parar de falar “merda” e que ele já estava “queimando o filme da banda”. Em meio a um certo tumulto, Thiago tentava consertar, dizendo que a música era ruim, mas os músicos, individualmente, eram bons. Muitas risadas. Quase uma tragédia. Thiago é um cara de opinião. Há alguns anos atrás roubaram o seu Fusca amado. Talvez a falta do Fusca seja a grande responsável por seu gosto por Fresno.

O show! Recuperado o clima de paz, a banda sobe ao palco não sem certo espanto com a rapidez com que as coisas estão acontecendo. Afinal, a Mardi Buscolini fez ali o seu 5º show. Em cima do palco, a Mardi Buscolini leva três guitarras bem trabalhadas, um baixo criativo e o vocal melancólico de Thiago. Entre os guitarristas, destaque para André, que parece sempre estar recebendo “entidades” enquanto olha para o teto e fica a balançar levemente o corpo, como se o seu próprio corpo estivesse possuído por um espírito, fantasma, ou algo do gênero.

Um problema técnico esfriou um pouco o show dos caras. Só um pouco. Logo em seguida, desfilaram as excelentes “Antemanhã” e “Encontro”. Os caras encerraram com “Intervalo”, o suficiente para que eu ficasse entoando mentalmente o refrão “Cair sobre o mundo é um risco lá lá lá...”. Uma coisa incrível: A demo da Mardi tem a surpreendente rejeição zero!


Mardi Buscolini agora sem Fusca

A próxima atração da noite, o Trilobit, de Londrina: Nunca tinha visto o show do Trilobit. Dj, baixo e guitarra, eis a receita para o público não ficar parado um segundo! Todos os músicos usam macacão verde. O baixista que tem sua identidade preservada a sete chaves, só toca com uma máscara de macaco. Já o Dj, usa um óculos de operário de construção e constantemente realiza gestos obscenos. É, é uma banda bem diferente. Um rock quase debochado e contagiante. Questionei algo sobre os macacões e dois integrantes ficaram durante cerca de dez minutos (é sério) tentando lembrar qual a data do primeiro show em que usaram os macacões. A divergência era que um deles dizia que foi no show realizado na galáxia Osbourne, em 2008, e o outro músico, revoltado, dizia que não. O show teria, sim, acontecido na Galáxia Osbourne, mas no ano de 2010. É, eles são estranhos.


Os verdes do Trilobit distantes da Galáxia Osbourne

Mas não menos estranhos do que Raphael Souza, o Jungle Boy. O homem que veio (sozinho) de Manaus, com uma bagagem extremamente portátil: 2 mochilas, um laptop, um violão e uma carteira portando seus documentos. Raphael Souza, o Jungle Boy, fechou a noite com chave de ouro. Seu show intimista mistura músicas acústicas em formato folk, com música eletrônica. E adivinha quem Jungle Raphael angariou para a primeira fila do show? Quem? Quem? Quem? A fantástica, a incrível, a inconfundível baixista do Junkie Bozo, Taís Ponti. Taís estava lá, praticamente abduzida pela voz doce e melancólica de Raphael Boy. A moça não desgrudou um segundo (um segundo!) da frente do palco, de tão envolvente que estava o show.

Jungle é uma figura estranha. Apresenta um show fantástico com voz, violão e gaita. Canções próprias, belas melodias, um belo show. Mas a parte que Raphael Jungle mais gosta é a parte em que ele larga o violão, corre em direção ao laptop e solta voz. Sem o violão!!! Artista audacioso, Raphael não pára por aí. Num dado momento, larga até o microfone. Ele assume a posição de DJ e executa uma base de sua autoria. Sem violão, sem gaita e sem microfone. O destemido Raphael Boy enfrentou não só o público londrinense, mas também o maringaense, abrindo a noite que contou com o Hacienda, Mardi Buscolini e os Droogies no TRIBOS BAR. Se aqui em Maringá ele encantou e surpreendeu com “Like a Rolling Stones”, de Bob Dylan, por lá ele mandou no violão “Blackbird”. Corajoso, Jungle Souza fez até um cover de Depeche Mode, em Londrina. É realmente um artista que ama seu trabalho e que luta para realizá-lo.

Ao término da apresentação, Raphael desliga seu violão do cubo e se depara com a ausência de sua carteira! O erro de Raphael! Ter deixado sua carteira em cima do amplificador. A fantástica, a incrível, a inconfundível baixista do Junkie Bozo, Taís Ponti, não consegue esconder sua irritação. Ela tenta se lembrar de todas as pessoas que poderiam ter roubado a carteira do Jungle. Mistério. Suspense. Luzes acesas, todos procurando a carteira. Alguém comentou: “Roubo? (gargalhadas) Isso é no que dá chamar gente de Brasília!!!”. A piada não funciona. O imbecil autor da piada ri sozinho, perde a graça e depois se redimi “Estou brincando”. Incrível como em todo momento de tensão sempre surge um imbecil com uma piada imbecil. Mas foi engraçado.


Quem roubou Raphael Souza, o Jungle Boy, não tem coração

Tais consegue se lembrar de alguém que se aproximou de Jungle Raphael, no final do show. Raphael se recorda desse cara também. Ele se aproximou para cumprimentá-lo e confessou ser um fã. Pois bem, esse fã não era um fã. Era um larápio disfarçado de fã. Um marginal. Um imbecil.

3 comentários:

Victor de la Hacienda disse...

Devo dizer que tocar no PR foi algo por demais pitoresco. Um público que alimenta a loucura. Alias, acho q o espaço destinado a falar de minhas meias deveria ser dedicado à beldade com sapatos oncinha.

Alexandre Gaioto disse...

huauhahuauhahuuhahua
auhauhuhauhauhahuau

concordo plenamente, vitones!
uhauhahuaauhauahu

César disse...

Aopa, agora tá arrumado.