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sábado, novembro 01, 2008

Podem parecer desajustados, mas não foram criados no computador

Texto: Lizandra Gomes
Fotos: -show: Bar Garage 570
-entrevista: Silvia Horta



Em Curitiba, no último dia 25, assisti ao show de uma das bandas mais reconhecidas da cena independente. Com suas roupas demodês, sapatos a la Jerry Lee Lewis, e o velho riff de guitarra mod (mesmo eles afirmando de pé junto que não são modes), vi de perto eles cantando “Metida demais”. Pra quem acompanha o rock alternativo sabe que estou falando dos curitibanos do Faichecleres.

O trio fez um show, pelo menos pra mim, histórico nesse dia. Em primeiro lugar porque fazia um ano que eles não tocavam em casa. Em segundo, quem abriu o show dos caras no bar Garage 570, foi a também curitibana Relespública, que não agradou muito com seu CD novo, moralismo demais, acredito ter agradado só o Greenpeace.

Mas outros fatores fizeram dessa noite especial, o ex-integrante Charles Britto, que teve que sair da banda em 2001 quando sofreu um acidente de carro, fez uma participação surpreendente. Segundo o guitarrista Marcos Gonzatto o combinado com Charles era para ele apenas tocar uma música, mas ele subiu no palco sem muletas, tocou três músicas e ainda deu um show de presença de palco quando deitou no chão e delirou ao som da sua antiga banda. “Foi como voltar no início da banda, lá em 1998, 1999”, comenta Marcos.

E por falar em integrante que teve que sair, o Faichecleres afirma para aqueles que achavam que a banda ia acabar depois da saída de Giovani Caruso, que continuam firme, fortes e produzindo. A saída do músico de início gerou um certo desconforto no grupo, Marcos Gonzatto até me disse que “ficou sem chão” com o anúncio de sua saída, mas que o Faichecleres para ele é um exemplo de superação. A entrada do contrabaixista Emidio Jorge em fevereiro, fortaleceu ainda mais a banda. Suas influências, seu conhecimento de harmonia, e o fato de tocar piano (sim, teve até piano no show) está ajudando a evolução do som da banda.

Mas falando em produção, a banda já está divulgando seu terceiro disco, que sai em março. No show que assisti em Curitiba, eles já tocaram algumas musicas desse novo álbum e me contaram em primeira mão o nome desse disco novo: “Uma noite daquelas”, que é também o nome de uma das faixas desse disco.

Em relação às novas musicas, percebi que eles não perderam o “charme” das letras típicas Faichecleres: “Ele gostou de ter duas namoradas”; “No final você vai se humilhar e vai pagar pra ver o meu show”; “Augusta me provoque, vamos brincar com a nossa sorte”, enfim, alguns chamam de machismo, mas todo mundo gosta, pelo menos eu adoro! Mas voltando a esse novo som, achei que as músicas estão com um toque mais pesado, mais inconseqüente, menos “The Who”. E o baterista Tuba me falou que o Faichecleres nunca foi mod “nossas influências são de músicas boas”. Por que será que todo mod não assume que é mod? Quem tiver a resposta me manda um e-mail.

Mas voltando ao novo disco do Faichecleres, como disse está um pouco diferente do que a galera está acostumada, segundo os meninos da banda eles estão em fase de evolução, mas “quem quer ouvir ‘Aninha sem tesão’ ouve o primeiro disco. Quem quer ouvir ‘Garotinha da mamãe’ ouve o segundo”, simples assim, explicou Tuba Caruso.

E além das novas canções da banda, durante o show fui surpreendida por versões das minhas duas bandas preferidas. A primeira do Júpiter Maça, eles fizeram um cover da música “Casalzinho pegando fogo”, e tenho que comentar que a platéia inteira pegou fogo nesse momento. Mas o que mais me deixou surpresa, foram as duas músicas que tocaram do AC/DC, esperava ouvir um The Who, nunca o hard rock dos australianos que não saem da minha cabeça. Mas depois conversando com Marcos Gonzatto, ele revelou que é um grande fã da banda e principalmente do saudoso vocalista Bon Scott.

Mas para finalizar a minha experiência com Faichecleres, tenho que repetir, é uma banda surpreendente. Para quem tentou me alertar dizendo que a banda não é mais a mesma, pode ser que sim, afinal dessa vez Tuba Caruso não lambeu minha orelha (já que, quando estiveram em Maringá, em entrevista ao Garagem, fui vítima de tal fatalidade). Mas diria que o Faichecleres ainda vai permanecer tão bom, tão rock’n roll como sempre foram, e quem sabe deixar seus passos na calçada da fama.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Faltou falar sobre o fogão

Texto: Thiago Soares
Fotos: Timbre Noise


“O fogão tem várias bocas”, essa foi a frase da organização do primeiro Timbre Rock Festival. Fugindo das panelas já existentes na música em Maringá, a família Timbre Noise & Low Records produziu no começo de outubro um festival de rock no Tribo’s bar que reuniu ao todo 23 bandas de vários lugares do país.

O festival não foi como o esperado. A falta de público no terceiro e quarto dia levaram a um fim precipitado do festival, mas mesmo assim, o evento cumpriu com seu objetivo de servir como “vitrine para novas bandas”. Quem foi em algum dos dias do festival pode conhecer pelo menos uma banda que nunca havia estado nos palcos maringaenses. Bandas bacanas que por aqui passaram e deixaram sua marca na cidade, além de bandas velhas conhecidas do público maringaense que como sempre fizeram ótimos shows.

Se destacaram no festival, bandas como a maringaense Seres Inteligíveis vindos do Hiperurano e a banda de Rolândia Os Perdigotos que fizeram belas apresentações no primeiro dia do Timbre Rock.

Já no segundo dia, quem fez a diferença foi o Nevilton de Umuarama. Com suas músicas, pulos e até um discurso no final (“o lado de cima do Paraná também vive, valorizem as bandas daqui”) realmente conquistaram os poucos presentes que ainda não conheciam a banda. E claro, a banda maringaense Ted Gugu e Os Espanta Neném, que mostraram um punk bem Ramones de qualidade. Além de The Name e do The Melt.

No terceiro e que veio a ser o último dia do festival - já que o quarto dia foi cancelado por falta de público -, que se destacou foi o Fluxodrama de Curitiba e o Toa Toa do Rio de Janeiro.

Se deu certo ou não o festival, isso não vem ao caso. O importante é creditar a coragem que os organizadores tiveram de fazer algo desse tamanho na cidade, isso ainda, com todos os imprevistos, como o roubo dos equipamentos do bar um dia antes.

Se você perdeu, fiquei tranqüilo, a família Timbre & Low não vai parar. No dia 21 de novembro eles já trazem de volta para a cidade o Fluxodrama.

segunda-feira, setembro 22, 2008

O que dizer sobre Móveis Coloniais de Acaju?

texto: Thiago Soares
foto: Jorge Mariano



- O que você acha de Móveis Coloniais de Acaju?
- Bom, sei lá, dependendo da decoração, fica bom.

Faz tempo que estou enrolando para escrever sobre o show do Móveis Colônias de Acaju que aconteceu dia 14 de setembro em Maringá, no Tribo’s Bar. Hoje, depois de mais de duas semanas do show, tudo o que eu queria dizer, já foi dito por pessoas que também presenciaram o espetáculo. “Melhor show do ano”, “melhor show que já vi no Tribo’s”, “melhor Sonic Flower que já fui”, essas e mais algumas dessas frases explicam melhor o que eu quero dizer.

Não é qualquer banda que consegue colocar tanta gente num domingo no Tribo’s. Não é qualquer banda que segura a galera até tarde lá. Mas o Móveis consegue.

Um show fantástico, todo pronto, todo certo para agradar a galera, e sem forçar nada para isso.

Realmente não tem muito que falar sobre o show, as fotos e os vídeos espalhados por aí explicam melhor do que algumas palavras. Veja as fotos aqui, alguns vídeos aqui e tire vocês mesmo suas conclusões.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Sexo, bigodes e Rock and roll

Texto: Thiago Soares
Fotos: Jorge Mariano

No dia 6 de setembro a banda maringaense A Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia fez um show de lançamento do novo disco “Por Que No Te Callas?”, o segundo disco da banda, dessa vez, lançado pelo selo paulista, Volume 1. O evento contou com a participação de outros dois grandes nomes do cenário independente nacional, Charme Chulo e Zefirina Bomba.

O show da Família Palim foi energético. Com o palco decorado por alguns manequins trajando vestes sensuais, com todos os turcos usando belos bigodes naturais (toma isso Bazar Pamplona e seus bigodes postiços), a apresentação foi empolgante do começo ao fim. O show contou com uma grande participação do público que cantou praticamente todas as músicas, tanto as novas presentes nesse segundo trabalho, quanto já outros clássicos da banda do primeiro CD. Além da participação do público, algumas figuras do rock paranaense atual fizeram sua parte no show, como Nevilton que subiu ao palco para cantar “Boa Noite, Cinderela” e Igor Filus, do Charme Chulo, que cantou junto com a Família Palim, a música “Indie D+” no show e também no disco.

Quem se apresentou depois da Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia foi o Zefirina Bomba. Show fantástico! Sonoridade, presença de palco, composições e microfonia, tudo em perfeita sintonia. “É o Nirvana brasileiro” como disse Igor Filus. Os caras mandaram várias músicas que mexeram com a cabeça das pessoas presentes, ou melhor, que “racharam” a cabeça delas. É no show do Zefirina que você vê que tudo o que disseram sobre eles é verdade, só faltou quebrar a viola/violão ou seja lá o que for aquele instrumento barulhento.

Os shows do Charme Chulo em Maringá são sempre emocionantes. Como já disse uma vez, “pra mim, o Charme Chulo é também uma banda de Maringá”. Os caras se sentem em casa em cima do palco, e o público, vai sempre ao delírio. O Charme Chulo tocou as já bem conhecidas músicas do primeiro disco, além de uma do EP e uma que estará no próximo disco, previsto pra ser lançado em abril de 2009. Rolou também uns covers, um beijo de Igor Filus no Manequim e uma homenagem da banda à Família Palim, tocando mais uma vez a música “Indie D+”. Mas esses foram os detalhes, o show, por si só, já é impressionante.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Rock demodê em sábado de chuva

Texto por Lizandra Gomes
Fotos por Ana Claudia Covo

Não foi a pancada de chuva que deu no último sábado a noite que ia me impedir de ir à Base assistir ao show dos curitibanos do Dissonantes.

Na hora que cheguei ao local pensei que o show ia ser fraco, já que a casa não tava lotada, mas ainda bem que estava enganada. Apesar de não ter muita gente na Base, acredito que todos os presentes assistiram ao show, vi inúmeros flashes e gente dançando seu rock demodê.

Em relação a presença de palco dos garotos diria que são tradicionais mod´s. Nada de novo, ficam lá com suas golinhas arrumadinhas, o cabelinho caindo no olho, cantando bonitinho, dá até pra imaginar, né?! O mais engraçado é o tecladista da banda, Allan Roberto. Na verdade não é que ele é engraçado, é que ele fica lá sentado, todo comportadinho, não deve nem transpirar. Agora quem devia ficar na frente da banda, quebrando todas as regras de composição de palco, é o baterista Bruno Zotto, que além de muito simpático, tem uma ótima performance no palco, é realmente empolgado e mostra que gosta muito daquilo que está fazendo. Em relação as musicas, não tem do que reclamar, eles tocaram todas as do CD novo, “Cassino” e intercalaram com os singles mais antigos. E também atenderam a pedidos da platéia, na verdade, que eu me lembre, só eu estava pedindo, mas o que importa é que atenderam. O que achei estranho foi que não trouxeram o CD para ser vendido, com certeza pelo menos o meu, eles teriam conseguido.

Mas quem perdeu o show do Dissonantes porque ficou com medo da chuva não se preocupem, pois segundo Bruno Zotto, que adorou a cidade, Dissonantes volta para Maringá, sem temporal dessa vez!

segunda-feira, julho 14, 2008

BOTA PRA FUDÊ!


coloquei esse vídeo só porque fui eu que filmei
na real mesmo, não da ouvir bem e, muito menos, ouvir


Foi mais ou menos isso o que rolou no final de semana em Maringá, pelo menos nos shows que eu fui.

Vou fazer só um resumão do que vi por aqui, porque afinal, me impressionou bastante. Sexta fui no Pub Fiction, pra ver a Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia, da qual sou fã declarado, e uma banda que nunca tinha visto ao vivo, Wolf Attack, de Arapongas.

Gostei bastante do show do Wolf Attack, a banda tem uma puta pegada. O baixo leva a banda inteira nas costas. Não desmerecendo o resto da galera, que também toca muito. Mas o som, a pegada, é tudo feita em cima do baixo. Realmente impressionante.

A Sexta Geração fez um show estranho. Sem passar o som, a banda tocou com a mesma regulagem do Wolf Attack. Só dava pra ouvir o baixo. Mesmo assim, as músicas novas do próximo disco e o funk, nunca gravado, mostram que a banda ainda tem várias coisas boas inéditas.

No sábado, fui no Tribo’s. Rolou a sexta edição da festa Zombilly. Dessa vez, com uma única banda, Stoned Beavers. Já vi grandes shows do Stoned, já vi alguns em tanto quanto fracos, é sempre uma surpresa quando se assisti um show deles. Nunca se sabe como vai ser a parada. Sábado, foi punk.

A banda subiu no palco, talvez empolgada com a entrada do novo baixista, e colocou tudo pra baixo. “Botou pra fudê”. Tocaram muito. A primeira música já mostrou pra galera que a noite ia ser foda. A única reclamação foi que tocaram pouco tempo, devem ter sido umas dez músicas, por aí, sei lá. Foi pouco, mas foi bom. Intenso.

O final de semana inteiro foi “rock” por aqui. Queria ter ido a todos os shows, mas não deu. Rolou Terminal Guadalupe e Aerocirco no MPB Bar, rolou o festival em Paraíso do Norte, isso sem falar do show do Móveis Coloniais em Londrina, que pelos comentários, lotou o Valentino.

Se você viu algum desses shows e quer fazer uma resenha pra publicar aqui, fica a vontade. É só mandar pro nosso e-mail: programagaragem@yahoo.com.br

segunda-feira, junho 02, 2008

TOCA CARÁIO!

Texto: Thiago Soares
Foto: se alguém tiver, manda ae: programagaragem@yahoo.com.br
Vídeo: Galera do JackUss (é isso certo?)

Frio e chuva deram inicio ao show duplo do Rock Rocket em Maringá. Na primeira noite a banda fez apenas covers de Ramones. Eu não fui, mas disseram que foi bom. Afinal, só pelas promoções que rolou na parada já valia a pena. (convites pros dois dias mais o CD novo da banda por r$20. Sensacional!)

A segunda noite tinha além do Rock Rocket, as bandas paranaenses Stoned Beavers (Mgá) e New Ones (Ldna). Mas o melhor de tudo mesmo, foi o metaleiro que estava no meu lado durante o show. Puta cara engraçado! (espero que ele não leia isso).

O Stoned Beavers abriu o show. Começou bem, estão mandando bem como sempre. Pegada punk e um repertório bom. O diferencial dessa vez foi o baixista do Rock Rocket que tocou uma música com eles e o baixista do New Ones que foi o maestro da banda. O cara ficava na frente do palco fazendo movimentos esdrúxulos para a banda, figuraça, curtiu as músicas pra valer, devia ta bem loco (ainda mais depois do que fez no final do show do New Ones).

O show do New Ones começou meio parado por parte do público, a banda mesmo (que tem puta pegada e presença de palco) tentou desde a primeira música animar geral. Foi rolar mesmo depois da quarta ou quinta música.

Nisso, o metaleiro e seu camaradinha com a camiseta do Nirvana já estavam do meu lado gritando em todo final de música “Toca logo, porra!” ou “Toca, caraio!” ou ainda, no ápice de seus gritos agudos, “Metal!”.

Bom, o show do New Ones é bom. Os caras tem um som bem feito, cheio de guitarras e pegada rock’n roll. Os refrões são grudentos, bem pop. a presença de palco (como já disse) é boa. Algo que chama mesmo a atenção. O problema é que às vezes aparenta ser um pouco exagerada, como no final do show, por exemplo, que o baixista enfiou sem instrumento no teto do bar. Mas é presença. O New Ones lança um CD (ainda esse ano?!) pela monstro. Provavelmente vai ter uma repercussão boa, principalmente se a galera for ver o show dos caras.

Quem fechou a noite, ou pelo menos deveria fechar, era o Rock Rocket que fez um bom show revezando no seu repertório músicas do primeiro e do segundo disco (que por sinal ficou bem legal). A galera curtiu mesmo o show deles em Maringá, como sempre compareceram em peso e agitaram bastante. A ponto dos seguranças terem muito trabalho pra manter a galera no limite da sanidade. (Várias minas subiram no palco e tiveram tentativas frustradas de mosh, hilário). Mas a melhor parte do show mesmo são os comentários do Alan lá atrás, na bateria. Alguém lembra o que ele disse pra mina que subiu no palco e fez um mini-discurso sobre opressão e shows de rock?

Quando o show do Rock Rocket acabou, alguns integrantes do New Ones subiram de volta no palco e tocaram umas músicas com o Rock Rocket. Depois ainda, o Rock Rocket mandou vários Ramones de brinde para a galera que não pode ir na primeira noite.



Rock Rocket em Maringá

domingo, maio 18, 2008

Dois ingressos, três CDs, duas camisetas, cinco cervejas

Texto: Thiago Soares
Fotos: Jorge Mariano

Pela quarta vez em Maringá, o Charme Chulo fez um show sensacional! Mas sobre isso, falamos no final.

Abrir um show pro Charme Chulo não é uma tarefa fácil. A presença de palco, sinceridade e qualidade são marcas avassaladoras dos curitibanos. Não da pra subir no palco antes deles, ficar parado e cantarolar qualquer merdinha.

Aqui em Maringá, a noite começou com o show da banda de Umuarama, Nevilton (e Os Alencares), que foram incumbidos da difícil tarefa de alegrar o público enquanto o Charme Chulo não vinha. Nevilton, seus companheiros de banda e seu tênis circense (eu disse que ia usar isso na resenha) alegraram a todos com suas belas canções sempre muito bem executadas. A presença de palco do próprio Nevilton, também é algo do qual se deve tirar o chapéu. Seus pulos inconseqüentes são marca registrada, assim como suas viagens psicodélicas no meio das canções.



Tanto nas músicas novas, quanto nas velhas e até nos improvisos (e às vezes nos pulinhos de Nevilton e Lobão), a banda é sempre muito bem entrosada. Algo bonito e gostoso de ver e ouvir.

Bom, resumindo, o Nevilton fez tudo o que dava pra fazer. Animou, alegrou e botou a galera pra cantar e dançar. Os CDs que foram distribuídos gratuitamente na ponta do palco, se esgotaram em 30 segundos após o anuncio do vocalista. Se você ficou sem o seu, mande um e-mail pro Garagem e nós te damos um.



Quanto ao Charme Chulo, já é até chato falar. O show dos caras é impecável. A presença de palco do Igor, mais a alegria e sinceridade que os caras transmitem ao tocar em Maringá é formidável.

Com um repertório prolongado, envolvendo músicas do primeiro disco, mais as duas novas do CD ao vivo e mais duas do EP, o Charme Chulo transformou a noite de muita gente.


Vale a pena também comentar o “karaokê” que rolou no final. Subiu o Picelli e mais um fita que eu não faço a mínima idéia de quem seja e cantaram “Mazzaropi Incriminado”. Destaque pro Picelli que dançou mais do que cantou em cima do palco (será que na nova banda dele, ele dança?!). O outro fita não sabia nem a letra da música (provavelmente ele até sabia, mas na hora não rolou).


Bom, de qualquer forma, foi divertido a participação dos dois, e claro, os shows, sensacionais! Um parabéns a Flávio Silva e sua Sonic Flower Club, que esse ano ta fazendo tudo e mais um pouco nessa cidade.


Falando nisso, fiquei devendo uma resenha do show do Canastra. Aí vai então:

Gabriel do Roque Navajo “surfou” na galera.





Fabulous Bandits é criativa e inovadora fazendo coisa velha. Quase roubou a noite.





E Canastra, sem palavras. Um dos melhores shows que vi na minha vida!

domingo, abril 20, 2008

Sobre o Canastra


Roque Navajo (Mgá-PR): Ruim.
Fabulous Bandits (Ldna.-PR): Bom, apesar de a maior parte das músicas ser em inglês.
Canastra (RJ-RJ): Ótimo! Ótimo mesmo!


E é isso que eu acho, até depois.

--
César L. Miguel.


P.S.: E Sol... Sol é pra acabar mesmo, putaquepariu.

segunda-feira, março 24, 2008

Dançando com a Cláudia Raia

texto por Thiago Soares
fotos por Jorge Mariano

O acre não existe, porra. E não vale nem um cavalo! Foi isso, entre erros e acertos A Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia fez um show bacana no Pub Fiction. Um pouco mais lento do que os de sempre, mas cheio de ótimas músicas novas do segundo CD da banda, ainda sem data de lançamento. O segundo promete ser ainda melhor do que o primeiro. Entre as novas tocas estão “Digna de honra ao mérito”, “Acho que ela gostaria”, “O grande irmão” e “Boa noite, cinderella”.


A outra banda da noite foi Nevilton de Umuarama. O power trio fez um show impecável com direito a várias músicas da banda, alguns covers e muitos improvisos. Entre os covers estão uma versão fantástica de “Jorge Maravilha”, uma música do Poléxia e muitas homenagem às festividades de Páscoa.


Nevilton é sem dúvida uma das melhores bandas da região, o entrosamento do trio é de dar inveja a muitas bandas, os pulos de Ton são a alegria dos fotógrafos e as músicas da banda estão cada vez melhores.

segunda-feira, junho 18, 2007

Cometa Buarque

Último show da turnê “Carioca” de Chico Buarque
(Teatro Vermelho | 19.06.07 | Goiânia-GO)

Sua mãe daria pra ele, sua namorada daria pra ele, você
daria pra ele, eu daria pra ele, quem não daria pra ele?


Sete anos depois, ele voltou. O malandro esteve na praça outra vez. Sem “Construção”, “Cotidiano”, “Cálice”, “Geni e o zepelin”, “Olhos nos olhos”, “A banda”, “O meu guri”, “A Rita”, “Meu caro amigo”, “Apesar de você”, mas voltou.

Sucessos? Claro, teve “João e Maria”, “Quem te viu, quem te vê”, “Eu te amo”, e uma série de outros sucessos classificados erroneamente como lados B –- sucessos não tão clássicos.

A turnê “Carioca” foi assim. Filas de até 12 horas para comprar ingressos, muita gente aos prantos por não conseguir adquiri-los, tumultos, reclamações sobre a organização, shows sempre lotados, público satisfeito, diversas invasões de palco e, em Brasília, contou até com o presidente Lula confortavelmente sentado na terceira fileira do teatro.

O show em Goiânia no dia 18 de maio marcou o encerramento da turnê. Um momento histórico, já que Chico fez apenas 4 turnês nos últimos 30 anos.

Em Goiânia, Chico Buarque permaneceu em seu quarto de hotel durante todo o dia 17. Só saiu às 19 horas para ensaiar no Teatro Vermelho. Eu estava entre os seis fãs que passaram a tarde inteira para ter o encontro com o mestre. Quando ele apareceu no hall do hotel 5 estrelas, fui ao seu encontro. “Chico, viajei 16 horas só pra te ver.” Após um segundo em silêncio –- o mesmo “silêncio a que só um poeta se permite”, como ele mesmo escrevera em “Budapeste”-- respondeu timidamente, com um humor fino e inteligente enquanto assinava meus dois livros: “eu viajei só três”.

Após os autógrafos, foi cercado pelos outros fãs e não perdeu o bom humor. “Virei show da Xuxa”, respondeu ao jornal local.

Durante a derradeira apresentação, Chico estava completamente à vontade. Quem esperava um show frio, se surpreendeu com uma intervenção longa. Chico explicou que aquele era o último show do “Carioca”, que iria descansar um pouco, uma conversa que pegou todos nós desprevenidos. Lá estava o mito, a lenda, a figura mais importante da música popular brasileira anunciando suas merecidas férias. Sorrindo a todo momento, respondia aos gritos de “lindo” com acenos tímidos, ligeiros.

A timidez que lhe é famosa fica evidente a apresentação inteira. Chico permaneceu completamente paralisado enquanto esteve em pé, cantando com seu violão. O único movimento que fez no palco foi sentar em um banquinho. Só. Até quando tocou kalimba, um instrumento africano, em “Morena de Angola”, permaneceu imóvel. Quando não está tocando violão, parece não saber o que fazer com as mãos e fica com elas assim, abertas uma de frente para a outra.

Mãos, pra que tê-las?

As primeiras três músicas, um pout-pourri de “Voltei a cantar” (1939), de Lamartine Babo, seguida por “Mambembe” (1967), e “Dura na queda” (2006), marcam o início das metralhadoras de flashes disparadas pela platéia, e definem o show.

“Dura na queda” logo no início é a prova cabal de que as canções de “Carioca”, ao contrário do que dizem alguns críticos musicais e fãs, não perderam a qualidade, como é de se acontecer com alguns músicos sessentões e ainda mantêm a mesma poesia e musicalidade da conturbada década de 70.

Os problemas sociais e o romantismo não foram excluídos das temáticas, como é o caso de “Ode aos ratos” e “Bolero Blues”. Na primeira, Chico usa os roedores para metaforizar os garotos de rua: “Rato de rua, irrequieta criatura / Tribo em frenética proliferação (...) / Ó, meu semelhante, filho de Deus, meu irmão”. Ao vivo, a canção ganhou um peso incrível, com bateria, percussão e violões mais altos do que o restante da apresentação. Já a melancólica “Bolero Blues”, de melodia elaborada, música do baixista Jorge Helder e letra de Chico, surpreendeu por apresentar um resultado tão bom quanto ao da gravação. A letra romântica em clima saudosista foi difícil de ter sido composta. É visível o amadurecimento de Chico como compositor nessa canção, em que apresenta uma poesia mais literária.

O momento de maior interação com o público não foi do futebol invisível jogado por Chico e o baterista Wilson das Neves, mas sim, de um erro de Chico.

Durante a turnê inteira, confessou no meio dos shows não saber muito bem a letra de “As atrizes”. No último show de “Carioca”, ele se confundiu. Trocou uma estrofe pela última da canção. O que era para ser “represente, presentemente muito pra mim”, ficou “presentemente, represente muito pra mim”. O público, percebendo a confusão, aplaudiu incansavelmente. Ao término da canção, Chico fez uma longa intervenção e pediu desculpas por ter errado a letra. Alguém gritou “você pode errar, Chico!”. A resposta surgiu com mais sorrisos, aplausos e risadas: “posso, né? A música é minha”.

Gaioto em momento tieta [detalhe na canetinha multicolor.
O magrão da esquerda ninguém flagra]


Encantou com “Bye, Bye, Brasil”, música composta para trilha sonora e que nunca foi executada ao vivo. Emocionou com a clássica “Eu te amo”, responsável por arrancar lágrimas do teatro inteiro e de fazer uma senhora ao meu lado tremer como se estivesse sofrendo um ataque epilético. “Imagina”, composta em parceria com Tom Jobim, e gravada apenas em 2006, proporcionou um dueto delicioso entre Chico e a tecladista Bia Paes Leme. Para castigar todos os presentes, a canção ganhou compassos mais lentos, realçando a intensa melodia jobimniana.

E assim desfilaram entre aplausos “Mil perdões”, “Futuros Amantes”, “As vitrines”, “Ela é dançarina”, “Na carreira”, “A história de Lily Braun”, tudo simplesmente indescritível. Um show perfeito, uma banda perfeita. Após “Porque era ela, Porque era eu”, não resisti. Completamente emocionado, gritei “bravo!”. Só percebi que tinha gritado alguns minutos depois.

E teve samba também. “Cantando no toró”, “Deixa a menina sambar”, “Sem compromisso”. Essas duas últimas canções marcaram o primeiro bis, em que a platéia aproveitou para sambar e os mais próximos alcançaram a frente do palco. Fiquei encostado no palco. Foi assustador. Os seguranças, desconfortáveis temendo uma invasão da multidão em frenesi, não sabiam o que fazer.

“Quem te viu, quem te vê” e “João e Maria” fecharam o show. A multidão aplaudia compulsivamente. Garotas, senhoras, senhores, garotos, todos em coro, apaixonadamente cantando os versos dessas duas canções como se fosse alguma espécie de hino sagrado. Todos implorando para que o mito ficasse apenas mais um instante no palco. Afinal, ninguém sabe daqui a quanto tempo, o cometa Buarque passará novamente por nós. Vai passar?

Texto e fotos do show por Alexandre Gaioto
Foto no hotel: Wildes Barbosa

sábado, março 03, 2007

Grito Rock Londrina

Por Alexandre Gaioto

O Grito Rock, festival de rock and roll que aconteceu simultaneamente em 15 cidades brasileiras, entre os dias 17 e 21 de fevereiro, não deixou o Paraná fora do mapa. Em Londrina, o festival teve divulgação pesada, contou com belos novos nomes do rock e ainda foi agraciado com o não comparecimento massivo do público.

O Grito londrinense foi divulgado no jornal Folha de Londrina - o maior da cidade - e até na Jovem Pan. Isso deixa claro uma diferença cultural muito grande, já que no Paraná, ao contrário das outras 14 cidades que produziram o Grito, o público tem o costume de aproveitar o feriado e descer para o litoral. Mesmo assim, correndo o risco de não restar ninguém em Londrina, os shows foram agendados. Aplausos à organização pela coragem!

Bom, a noite começou com uma surpresa. O GAF, de Londrina, se apresentou com energia e peso surpreendentes. Com influências de Limp Bizkit e Rage Against, os caras contam até com um DJ. O vocalista Marcelo dos Santos, o Sapão, explica que a paixão pelo skate e por essas duas bandas fizeram com que o GAF (Garotos Antenados Falantes) surgisse. Sapão é um cara politizado. Tanto que no final do show, ele gritou por paz. Sapão até compôs uma música sobre George Bush e Saddam Hussein. Ele explica o engajamento pacifista no show e o efeito causado: “A melhor parte do show é quando a bateria fica tocando, aí ela (bateria) pára e eu grito e peço para todo mundo gritar PAZ. E paz é o que todos nós queremos. Você não quer paz?”. O pacifista revela ser um admirador -em parte- do vocalista do U2, Bono Vox: “o problema é que ele faz isso pra ganhar dinheiro”. Palmas para Sapão.


O pacifista Sapão

Os segundo a se apresentarem já são conhecidos dos assíduos leitores do blogue: Junkie Bozo. Belo trabalho o dos caras! Belo também era o vestido de Tais Ponti, a incrível, a fantástica, a inconfundível baixista da banda. Junkie Bozo nunca seria Junkie Bozo, sem Tais Ponti e seus vestidos exóticos. A primeira coisa que Thais disse quando me viu, foi: “Dessa vez não é de bichinho!” e apontou para o seu vestido. Esperto como uma raposa, astuto como um leão, eu aproveitei e olhei bastante. O vestido, claro. Depois de alguns minutos, balancei a cabeça concordando que realmente não era de nenhum bicho. Notei que o belo vestido verde de Tais deixava aparecer nas costas um pedacinho de tatuagem em forma de tablatura. Com um sorriso amável, Tais explicou que fez aquela tatuagem há uns dois anos, e que aquela era a tablatura de “All you need is love”, dos Beatles. Maravilha!!! Aproveitei para questionar algo que já queria perguntar a muito tempo. Os vestidos exóticos são uma arma na sedução? “Não..simplesmente eu”. Tais tem um armário cheio de vestes “exóticas”: “Eu tenho vestidos de cobra, onça e zebra. Só não tenho de vaca!”, revelou a incrível Tais Ponti com um delicioso sorriso nos lábios e um par de sapatos de oncinha nos pés.


Taís Ponti e seus exóticos pés de oncinha

Depois do Junkie Bozo, os roqueiros inconseqüentes do Hacienda incendiaram por completo o Berimbar. Um show simplesmente eletrizante, do início ao fim. O trio apresentou um punk rock em essência, mas um show que foi além, revelando as qualidades individuais e a qualidade coletiva da banda. Um baterista brilhante, vocais ora gritados, ora rasgados, ora intimistas... Foi um show intenso. A prova da intensidade louca que o Hacienda faz em suas canções está em “All you got”, “Hacienda Mecânica” e em todas as outras do repertório. E já que estamos comentando o vestuário com certa freqüência nas resenhas, vale atentar para a moda particular do guitarrista Victor. O cara usa um grosso meião de futebol azul, uma bermuda branca jeans e uma camiseta havaiana (sem o colar típico). Uma moda bem particular. Eu já conhecia o trabalho dos paulistanos do Hacienda e não achei que eles fossem capazes de reproduzir ao vivo o primoroso Ep “Hunting Season Open” (disponível gratuitamente no site

www.hacienda.com.br ). Não continue essa leitura antes de baixar o EP.


O baixista e um dos vocalistas do Hacienda, Fábio Chenepan

Hacienda rolando por aí e agora é a hora do Silêncio. Thiago Ponti, irmão da incrível, a fantástica, a inconfundível, Tais Ponti, lidera a banda londrinense. Fazendo caras e bocas, o guitarrista e jogral, Thiago, deixa se levar pelo clima da banda e não se segura em cima do palco. Dançando conforme a música, Thiago Ponti sofre, pula e viaja enquanto executa as canções. Totti, no baixo, também se esforça para acompanhá-lo. Silêncio é uma banda que já está pronta e que não fica, em hipótese alguma, “presa” ao público. É uma banda que se diverte com muita competência e faz um show sincero, com músicas sinceras.


Thiago Ponti não se segurou

Depois de Thiago, Totti e companhia, é hora da banda de Brasília, Mardi Buscolini. Assim como Hacienda (SP), sou fã do som dos caras. Antes do show, em conversa reservada (banhada a algumas cervejas), o vocalista Thiago Sabadini polemizou: “Os caras do Fresno não são ruins!”. A declaração foi o suficiente para despertar o riso e a revolta coletiva dos integrantes da Mardi - incluindo as respectivas namoradas. André, o produtor, disse para Thiago parar de falar “merda” e que ele já estava “queimando o filme da banda”. Em meio a um certo tumulto, Thiago tentava consertar, dizendo que a música era ruim, mas os músicos, individualmente, eram bons. Muitas risadas. Quase uma tragédia. Thiago é um cara de opinião. Há alguns anos atrás roubaram o seu Fusca amado. Talvez a falta do Fusca seja a grande responsável por seu gosto por Fresno.

O show! Recuperado o clima de paz, a banda sobe ao palco não sem certo espanto com a rapidez com que as coisas estão acontecendo. Afinal, a Mardi Buscolini fez ali o seu 5º show. Em cima do palco, a Mardi Buscolini leva três guitarras bem trabalhadas, um baixo criativo e o vocal melancólico de Thiago. Entre os guitarristas, destaque para André, que parece sempre estar recebendo “entidades” enquanto olha para o teto e fica a balançar levemente o corpo, como se o seu próprio corpo estivesse possuído por um espírito, fantasma, ou algo do gênero.

Um problema técnico esfriou um pouco o show dos caras. Só um pouco. Logo em seguida, desfilaram as excelentes “Antemanhã” e “Encontro”. Os caras encerraram com “Intervalo”, o suficiente para que eu ficasse entoando mentalmente o refrão “Cair sobre o mundo é um risco lá lá lá...”. Uma coisa incrível: A demo da Mardi tem a surpreendente rejeição zero!


Mardi Buscolini agora sem Fusca

A próxima atração da noite, o Trilobit, de Londrina: Nunca tinha visto o show do Trilobit. Dj, baixo e guitarra, eis a receita para o público não ficar parado um segundo! Todos os músicos usam macacão verde. O baixista que tem sua identidade preservada a sete chaves, só toca com uma máscara de macaco. Já o Dj, usa um óculos de operário de construção e constantemente realiza gestos obscenos. É, é uma banda bem diferente. Um rock quase debochado e contagiante. Questionei algo sobre os macacões e dois integrantes ficaram durante cerca de dez minutos (é sério) tentando lembrar qual a data do primeiro show em que usaram os macacões. A divergência era que um deles dizia que foi no show realizado na galáxia Osbourne, em 2008, e o outro músico, revoltado, dizia que não. O show teria, sim, acontecido na Galáxia Osbourne, mas no ano de 2010. É, eles são estranhos.


Os verdes do Trilobit distantes da Galáxia Osbourne

Mas não menos estranhos do que Raphael Souza, o Jungle Boy. O homem que veio (sozinho) de Manaus, com uma bagagem extremamente portátil: 2 mochilas, um laptop, um violão e uma carteira portando seus documentos. Raphael Souza, o Jungle Boy, fechou a noite com chave de ouro. Seu show intimista mistura músicas acústicas em formato folk, com música eletrônica. E adivinha quem Jungle Raphael angariou para a primeira fila do show? Quem? Quem? Quem? A fantástica, a incrível, a inconfundível baixista do Junkie Bozo, Taís Ponti. Taís estava lá, praticamente abduzida pela voz doce e melancólica de Raphael Boy. A moça não desgrudou um segundo (um segundo!) da frente do palco, de tão envolvente que estava o show.

Jungle é uma figura estranha. Apresenta um show fantástico com voz, violão e gaita. Canções próprias, belas melodias, um belo show. Mas a parte que Raphael Jungle mais gosta é a parte em que ele larga o violão, corre em direção ao laptop e solta voz. Sem o violão!!! Artista audacioso, Raphael não pára por aí. Num dado momento, larga até o microfone. Ele assume a posição de DJ e executa uma base de sua autoria. Sem violão, sem gaita e sem microfone. O destemido Raphael Boy enfrentou não só o público londrinense, mas também o maringaense, abrindo a noite que contou com o Hacienda, Mardi Buscolini e os Droogies no TRIBOS BAR. Se aqui em Maringá ele encantou e surpreendeu com “Like a Rolling Stones”, de Bob Dylan, por lá ele mandou no violão “Blackbird”. Corajoso, Jungle Souza fez até um cover de Depeche Mode, em Londrina. É realmente um artista que ama seu trabalho e que luta para realizá-lo.

Ao término da apresentação, Raphael desliga seu violão do cubo e se depara com a ausência de sua carteira! O erro de Raphael! Ter deixado sua carteira em cima do amplificador. A fantástica, a incrível, a inconfundível baixista do Junkie Bozo, Taís Ponti, não consegue esconder sua irritação. Ela tenta se lembrar de todas as pessoas que poderiam ter roubado a carteira do Jungle. Mistério. Suspense. Luzes acesas, todos procurando a carteira. Alguém comentou: “Roubo? (gargalhadas) Isso é no que dá chamar gente de Brasília!!!”. A piada não funciona. O imbecil autor da piada ri sozinho, perde a graça e depois se redimi “Estou brincando”. Incrível como em todo momento de tensão sempre surge um imbecil com uma piada imbecil. Mas foi engraçado.


Quem roubou Raphael Souza, o Jungle Boy, não tem coração

Tais consegue se lembrar de alguém que se aproximou de Jungle Raphael, no final do show. Raphael se recorda desse cara também. Ele se aproximou para cumprimentá-lo e confessou ser um fã. Pois bem, esse fã não era um fã. Era um larápio disfarçado de fã. Um marginal. Um imbecil.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Filho de filho da puta, filho da puta é!

Por Thiago Soares

Londrina mais uma vez prova a sua força no cenário independente. Em pouco tempo, é o segundo festival de música independente que Londrina promove, isso tendo já um terceiro agendado. Isso tudo graças a algumas pessoas como Totti (baixista do Silêncio!), Felipe Teixeira (guitarrista dos Droogies) e Marcelo (baixista do TrilöBit). O festival da vez é o Londrirock Verão. Uma ótima organização e divulgação - antes do inicio do festival – já mostravam que seria um sucesso. E foi.

A festa começou por volta da meia noite, quando subiu ao palco a banda londrinense Useless. Com um impecável vestidinho preto, a guitarrista do Useless já chamava a atenção da galera que se reunia em frente ao palco à espera do inicio do show. Era um show de despedida, no começo do show, o baterista e vocalista – a guitarrista também canta – anunciou ao público – que mal prestou atenção: “nós somos o Useless e esse é nosso último show”. Uma pena. O Useless abriu o festival de forma impressionante, com ótimas músicas próprias e alguns côveres que fizeram o público cantar e dançar.

Useless: despedida na abertura do festival

Quem subiu ao palco – meia hora depois – foi o pessoal do Flattermaus. Flattermaus aparentemente é uma banda curiosa. Na bateria se destaca um rapaz visualmente incompatível ao restante da banda, isso porque ele mais parece um integrante dos Forgotten Boys do que do Flattermaus e na guitarra Petrônio exibe suas habilidades com um jeito ímpar de tocar. Mas visual e estilo não dizem nada. O Flattermaus mostrou muito entrosamento no seu som. "Um som “alternativão”, como bem definiu Hassanz Palim.

Flattermaus e seu som "alternativão"

Depois do Flattermaus veio o Junkie Bozo, a terceira e última banda londrinense do primeiro dia de festival. O Junkie Bozo fez moças dançarem e cantarem ao som de suas músicas com fortes influências de Los Hermanos. A baixista da banda, Taís Ponti – que trajava um exótico vestido de oncinha – interagia, conversava e ria com o público – ou pelo menos com seus amigos. O vocalista e o baterista – Cleber e Luciano, respectivamente – eram mais sérios, profissionais e concentrados, enquanto o guitarrista Rodrigo Martins, se divertia ao tocar. Martins dançava e pulava, além claro de vestir seu nariz de palhaço em certo momento do show.

Taís Ponti, seu exótico vestido e os caras do Junkie Bozo

A primeira banda maringaense a subir no palco foi The Stoned Sensation. Os caras tocaram muito alto. As primeiras três músicas levaram a galera ao delírio com os gritos de Franciano e as fortes palhetadas de Fábio. Depois, quando André assumiu a guitarra e Franciano foi para a bateria a coisa mudou um pouco. Não para o público, que continuava a delirar no show dos caras – destaque para uma loira que se posicionava ao lado direito do palco, que enquanto fazia movimentos repetitivos com a cabeça, simulava tocar insanamente uma air guitar. Com André nos vocais os gritos sumiram, porém não as guitarradas da banda. Franciano com seu jeito particular de tocar bateria não deixou a desejar e com o fim do show agradeceu ao “mais um” que o público gritava e a contra-gosto do técnico de som, pulou de volta para bateria e puxou a música “See That Girl”. Foi o melhor show do Stoned Sensation que vi até hoje e com certeza vai ficar marcado para o público londrinense que aplaudiu muito.

The Stoned Sensation levando os londrinenses à loucura

Quem fechou a primeira noite do festival foram os maringaenses da VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia. Os caras já subiram no palco loucos. Afinal era uma noite de novidades. Hastan Palim pela primeira vez tocava em cima do palco, junto com os seus outros irmãos. Hastan Palim assumiu a bateria de Hakan Palim, afastado da banda para se purificar – ele fez sexo durante o Hamadan. Com a entrada espetacular de Hastan Palim, a banda tomou um novo gás e já tocou nesse primeiro show do ano, novas músicas. Músicas como “Filho De Filho Da Puta, Filho Da Puta É!”, e uma versão da música “Beat On The Brat”, dos Ramones. O show foi espetacular, o publico londrinense foi à loucura. O dono do bar foi à loucura. Os Palins foram à loucura. Poderia passar o resto dia contando com detalhes como foi o show histórico dos Palins, mas aí, no próximo deles, você não acharia tão selvagem.

Os Palins em show de estréia do irmão perdido Hastan

O primeiro dia do Festival Londrirock Verão foi foda. Muitos shows bons e ótimas oportunidades para bandas daqui da cidade.

domingo, novembro 19, 2006

Madruga - Demo Sul - dia 2

4h 30min.

Entrevistas feitas hoje:
Macaco Bong
Hocus Pocus
Porcas Borboletas
Búfalos D'água
Vudu
Rockassetes

E a quase impossível, mas exclusiva entrevista com Rogério Skylab ("Ah, vocês tocaram uma músicas esses dias, não tocaram?")!

Foi foda, foi foda.

Spots gravados:
Vivi ("Eu sou a Vivi, da Bidê ou Balde, e ouço o Garagem... Ou é a Garagem? (...) Ouço o Garagem, é isso aí!")
Rogério Skylab ("Aqui é Rogério Skylab e eu tô no Programa Garagem!")

Na foto de Ana Paula Retvka, Vivi Peçaibes, da Bidê ou Balde, com o editor do PROGRAMA GARAGEM, César Miguel.

sábado, novembro 18, 2006

Diário de viagem - dia 1 (18/11/06)

Bidê ou Balde, banda de Porto Alegre (RS) que
fechou o primeiro dia do Demo Sul 2006


Ei, amigos!

César Miguel, diretamente de Londrina, no Demo Sul 2006!

O primeiro dia do festival já foi... e foi foda!

O show dos Lamborguines, infelizmente perdi. Quando cheguei os caras tinham acabado de terminar.
Logo após subiu a palco o Silêncio!, de Londrina, assim como os Lamborguines.

O show começou meio assim, meio mais ou menos, mas foi melhorando. Lá pela quarta música os caras já estavam mais confortáveis no palco.

Logo após, tocaram os Superguidis. O som já estava melhor, o público conhecia as músicas.
"Um puta d'um show!", disse Hastür Palim.

Depois disso só showzaço!
A banda-casal Canja Rave, o trio instrumental Macaco Bong, o TrilöBit com sua nova formação e o Grenade.
Pra fechar a noite, a já consagrada Bidê ou Balde, no maior show - em duração - da noite.

As entrevistas foram boas, falei com os Lamborguines, o TrilöBit , a Canja Rave e o Bidê ou Balde.
Os Superguidis foram entrevistados hoje em Maringá junto com os Forgotten Boys, nos estúdios da Rádio Cesumar, por Alexandre Gaioto, Lizandra Gomes e Thiago Soares.

Amanhã já tenho entrevista marcada com o Macaco Bong. Os caras são parte do Espaço Cubo e uns malditos d'uns instrumentistas!


Estavam presentes, além de mim e do já citado Hastür Palim, seus irmãos Hassen e Hassans, e minha honorável namorada e assessora Amanda Zacarkim.
Fomos juntos de van e nos desesperamos juntos após os shows ao descobrir que a van havia ido sem nós.


Até amanhã.


Foto por Amanda Zacarkim