Valentines Urban RockFaichecleres lançando “A Calçada da Fama” | Kicking Bullets abrindo
(Velvet Bar | 09.06.07 | Maringá-PR)
- Renato?
- Ô, César!
Aí soltei uma das mais idiotas perguntas feitas nos últimos tempos:
- Tá onde?
Hassanz, sempre educado, preferiu fingir que não ouviu a débil indagação:
- Então, cara, deu umas tretas aqui. Tô saindo agora.
- Ah, então eu vou passando na casa da Ane [Pacola, do Musicomania da Rádio Cesumar]. Aí a gente te espera na casa dela.
- Ah, então vai indo com ela, a gente se encontra no show mesmo.
- OK.
Seguimos eu e Ane pra Velvet. Ela ia me guiando, sou bem perdido por essa Maringá e nunca tinha ido na boate [e agradecia muito por isso]. Chegando lá, puta fila. Reconheci uns conhecidos, soltei uns cumprimentos ao léu e a sobriedade me assombrava. Convidei alguns:
- Bora tomá uma antes de entrar?
Todo mundo sabe que uma na verdade são várias. E a intenção era essa. Mas não conhecia aqueles lugares e nem seus preços [é, eu sou meio verde, só vivo de boteco da UEM, Tribão e Pub]. As pretendidas várias foram poucas, mas o suficiente pra eu gastar uns 7 pilas [puta merda].
Entramos eu, Ane e mais uns amigos. Lá dentro o horror:
Skol lata – R$2,85
A dose mais barata [e atrativa]:
Ypióca – R$4,90
O horror! O horror!
Folheei melhor o menu:
Orloff Mix Lemon – R$4,90
Pensei comigo: “opa!, vamo dessa vodka, que a gente bebe mais docinho, né não, querido?”.
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Enquanto o Kicking Bullets tocava, muito papo bom e muita vodka on the rocks. Alguns papos muito importantes mesmo, como por exemplo, o nome do meu futuro filho [que eu espero que demore muito tempo pra vir]. Já montei a cena toda. Eu vô tá bem louco, o cartorário pergunta: “qual vai ser?”, e eu respondo “Miguel”. Ele retruca: “de quê?”. “Miguel, ué. Miguel Miguel.”
Bastante gente vinha pra parte de fora. Ouvi alguns comentários ruins a respeito do Kicking Bullets. “Eu vou pagar um Basic One pr’aquele vocalista, cara.” Também falaram que ele emulava, em certos momentos, figuras como Liam Gallagher, Julian Casablancas e Armandinho [os dois primeiros acho que eram intencionais; o segundo falaram que era por causa de uma dancinha esquisita que ele fazia].
Analogia boa: “Tropa de Elite alternativo”. Segunda-feira na faculdade falaram: “Mas os músicos da Tropa de Elite são profissa, os caras são bons”. Juntando as partes soltei a pérola:
- Tropa de Elite toca bem música ruim. Kicking Bullets toca mal música boa [mas não tão boa assim].
Saí dali. Fui pra dentro. Encontrei parte da família Palim. Parei conversar.
Os Faichecleres iam começar. Não só iam, como começaram.
Showzinho sussa. Bem igual um outro que tinha visto em Londrina, antes da saída do Giovanni [Caruso, ex-baixista]. Com a diferença que o Marcos [Gonzatto, guitarrista e vocalista] fazia a primeira voz em várias músicas. Agora eu sei por que ele era o backing vocal. Eu e mais uns não gostamos do resultado das duas vozes juntas. “Tá parecendo sertanejo, não tá?”, ouvi ao mesmo tempo em que pensava.
Tuba tomou conta do show, como de costume. Com a saída do Giovanni, as atenções caíram todas sobre ele. Não tinha nenhum microfone, mas dava pra ouvir bem seus berros.
O show acabou e eu não percebi direito. Olhei em volta e não vi muita gente. Gaioto [Alexandre Gaioto, colega de trabalho no Garagem] disse que elogiei o show. Não me lembro disso.
Acordei na sala de casa às duas da tarde sem saber quanto tinha gasto ou como tinha ido embora. Aposto que me deram easy date e abusaram de mim a noite toda. Só torço pra que tenham sido mulheres.
César L. Miguel
Fotos por Jorge Mariano
P.S.: Tchela, adorei a festa, só não entendi o porquê de uma banda côver, e não uma das muitas de música própria que Maringá tem.
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